Nesta entrevista, o Professor Molion contesta as previsões catastróficas sobre o El Niño no Brasil, classificando-as como um alarmismo sem base científica. O especialista argumenta que o aquecimento atual das águas do Pacífico foi provocado por ondas de energia de terremotos recentes, e não pelo fenômeno climático tradicional. Segundo ele, o impacto no clima depende fundamentalmente de uma resposta da atmosfera, o que ainda não ocorreu de forma definitiva. Molion esclarece que a transição térmica foi atipicamente rápida, mas a falta de acoplamento atmosférico sugere que grandes mudanças no regime de chuvas são improváveis. O professor recomenda que produtores rurais e pecuaristas mantenham suas atividades normais, ignorando previsões baseadas em modelos que considera falhos. Ele conclui que apenas em setembro será possível confirmar se haverá alguma alteração real nas condições climáticas do país.
El Niño ou Anomalia Geológica? As Perspectivas do Prof. Molion sobre o Clima Brasileiro
Em uma análise que desafia o consenso meteorológico tradicional, o Professor Luiz Carlos Molion apresenta uma visão alternativa sobre o aquecimento das águas do Pacífico e seus reais impactos no clima do Brasil. Segundo o especialista, o que estamos presenciando não é um El Niño tradicional, mas sim um fenômeno com origens distintas e consequências ainda incertas.
O Mecanismo do El Niño Tradicional vs. A Situação Atual
Para compreender a tese de Molion, é preciso entender o fenômeno ENOS (El Niño-Oscilação Sul). Em condições normais, os ventos sopram da América do Sul para a Austrália, “empilhando” água quente no lado oeste do Pacífico. O El Niño ocorre quando essa água retorna para a costa sul-americana em forma de ondas subsuperficiais.
No entanto, Molion argumenta que o aquecimento atual foi disparado por eventos geológicos. Ele cita terremotos de grande magnitude no Japão (especialmente um em 20 de abril, de 7,5 na escala Richter e baixa profundidade) que liberaram energia suficiente para criar uma onda interna, espalhando água quente em direção às Américas de forma muito mais rápida do que o normal — levando menos de um mês, em vez dos habituais três.
A Gangorra Barométrica e o Papel da Atmosfera
O professor destaca que o fenômeno não é apenas oceânico. O componente “Oscilação Sul” refere-se a uma gangorra barométrica (de pressão atmosférica) entre o Taiti e Darwin (Austrália).
- Se a pressão sobe em Darwin e baixa no Taiti, geralmente há seca na Amazônia e no Nordeste brasileiro.
- Contudo, Molion ressalta que em 35% dos casos estudados desde 1950, a atmosfera não respondeu ao aquecimento do oceano.
Para que o clima mude efetivamente, é necessário o acoplamento: a atmosfera precisa “aceitar” e interagir com a água quente do oceano. Até o momento da entrevista, o professor defendia que esse acoplamento ainda não havia ocorrido, mantendo os ventos em direções normais.
Crítica ao “Alarmismo” e Projeções para o Agronegócio
Um dos pontos centrais da fala de Molion é a crítica severa aos modelos climáticos atuais, que ele classifica como ferramentas que geram alarmismo sem base científica sólida. Ele adverte que previsões catastróficas podem causar prejuízos econômicos reais, levando produtores a vender gado ou deixar de plantar por medo de uma seca que pode não se concretizar.
Suas recomendações para o setor produtivo são:
- Cautela nas decisões: Não se deve tomar atitudes drásticas baseadas em previsões de longo prazo de modelos que ele considera imprecisos.
- Atraso na estação chuvosa: Ele prevê apenas um possível atraso no início das chuvas no Centro-Oeste, começando talvez em meados de novembro em vez de outubro.
- Ponto de definição: A confirmação se a atmosfera “entrará na onda” do El Niño só poderia ser feita a partir de setembro.
Complexidade Climática e o Futuro
Molion finaliza lembrando que o clima é um sistema aberto e complexo, influenciado por fatores que vão desde a força gravitacional da Lua até a atividade solar. Ele menciona a possibilidade de o Sol entrar em um período de baixa atividade entre 2030 e 2040, o que poderia enfraquecer a heliosfera e aumentar o bombardeio de partículas de alta energia na Terra, afetando o clima de formas que os modelos atuais não conseguem prever.
Em suma, a mensagem do especialista é de ceticismo diante do pânico e um apelo para que os produtores rurais continuem seus trabalhos, observando a evolução real da interação entre oceano e atmosfera antes de prever catástrofes.
