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Tirando o Veneno da Língua

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Tirando o Veneno da Língua: A Batalha Espiritual Expressa em Nossas Palavras

A Bíblia é rica em advertências sobre o uso da nossa linguagem, destacando a língua como um dos pontos mais críticos e perigosos da experiência humana. A narrativa de três jovens em oração no monte ilustra dramaticamente a seriedade desse problema: enquanto dois confessavam lutas internas com pensamentos impuros e tendências sexuais, o terceiro revelou que seu problema era ainda pior — a intensa vontade de descer e contar a “safadeza” dos amigos para toda a igreja, demonstrando que sua fraqueza residia na boca, na língua.

Essa poderosa ilustração serve de introdução ao tema central: a necessidade de tirar o veneno da língua.

A Língua Como Fogo e Veneno Incontrolável

O apóstolo Tiago, em sua epístola (capítulo 3, versos 6 a 9), oferece um retrato sombrio do poder destrutivo da língua. Ele afirma que a língua é um fogo, um mundo de iniquidade que contamina a pessoa por inteiro e incendeia todo o curso da vida, sendo ela mesma incendiada pelo inferno.

Enquanto toda espécie de animais, aves, répteis e criaturas do mar pode ser domada, a língua, porém, ninguém consegue domar. Ela é descrita como um mal incontrolável, cheio de veneno mortífero. Há um paradoxo doloroso no seu uso: com a língua bendizemos ao Senhor e Pai, mas com ela amaldiçoamos os homens feitos à semelhança de Deus.

A nossa língua é a principal expressão da nossa personalidade e, pela linguagem, revelamos se o que nos domina é a nossa própria vontade ou a obediência à vontade de Deus. Tiago chega a dizer que quem nunca profere uma palavra ociosa ou vã é considerado perfeito (Tiago 3:2).

O Uso Desordenado e Suas Consequências Esmagadoras

O uso desordenado da língua é apontado como a raiz dos maiores problemas dos relacionamentos, especialmente dentro da comunidade cristã. Este foi o problema em igrejas históricas como Jerusalém, Éfeso, Corinto e Galácia, manifestando-se em dissensões, contendas, discórdias, facções, inimizades, porfias, ciúmes e iras.

Tiago destaca particularmente a língua do caluniador, detrator, murmurador e boateiro. É crucial entender a gravidade desses indivíduos: serpentes venenosas não oferecem maior perigo à vida, à paz e à reputação alheia do que tais pessoas.

A Bíblia adverte amplamente sobre este tema por diversos motivos:

  1. Destrói Amizades: O mau uso da língua destrói e separa os maiores amigos, algo que doenças, problemas financeiros ou tribulações não conseguem fazer. Más conversações corrompem os bons costumes (1 Coríntios 15:33).
  2. Influência Rápida para o Mal: Uma notícia ruim se espalha via redes sociais com uma rapidez que a boa notícia não alcança. O mau uso da língua é uma influência maior quando usada para o mal.
  3. Espalha Veneno no Corpo de Cristo: Conversas vis arruínam lares, dividem igrejas e levam milhões ao desespero e à desgraça.
  4. Determina o Destino Pessoal: O destino da nossa alma é determinado pelo uso da nossa língua e pelas palavras que proferimos. Jesus afirmou que pelas nossas palavras seremos justificados e pelas nossas palavras seremos condenados (Mateus 12).

Até mesmo Moisés perdeu o privilégio de guiar o povo para a terra prometida por causa de uma frase impetuosa que pronunciou (Salmo 106:33). Além disso, a qualidade de vida no casamento e em família depende daquilo que sai da boca.

O Diagnóstico da Língua Enferma

Uma pessoa com a língua doente ou envenenada pode ser identificada por algumas características:

  • Eles afiam as suas línguas como espadas, e armam por suas flechas palavras amargas (Salmos 64:3).
  • A boca do insensato é a sua própria destruição.
  • Escarnecedores: Aqueles que menosprezam os outros, brincando com a aparência, defeitos físicos ou deficiências.
  • Difamadores/Fofoqueiros/Coxixadores: Aqueles que tiram a boa fama dos outros, desacreditam ou cochicham ao pé do ouvido. A difamação dos pais sobre a igreja pode levar os filhos a odiarem o ministério.
  • Falsa Testemunha e Intrometido.

As raízes que levam uma pessoa a difamar o próximo frequentemente revelam inveja e orgulho. O orgulho, uma característica de Satanás, leva a pessoa a buscar a autopromoção e pode ser uma capa que Deus abaterá.

O Caminho para a Cura e a Língua Disciplinada

Para disciplinar o falar e remover o veneno da língua, são oferecidos conselhos práticos:

  1. Peça Perdão: Confesse os pecados cometidos com o uso indisciplinado da língua, assim como Isaías clamou: “Ai de mim que vou perecendo porque sou um homem de lábios impuros e habito no meio de um povo de impuros lábios” (Isaías 6:5).
  2. Use a Língua Exclusivamente para a Glória de Deus: Faça o propósito de falar somente o que edifique e transmita graça aos que ouvem. A instrução bíblica é: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas somente aquelas que forem boas para edificação e que transmita graça aos que te ouvem” (Efésios 4:29).
  3. Mantenha seu Falar Sob a Direção do Espírito Santo: É preciso ter uma vida cheia do Espírito Santo (Gálatas 5:18), pois quando o indivíduo abre a boca, sai aquilo que glorifica o nome do Senhor.
  4. Cultive a Saúde das Palavras: Ore e vigie. A língua do justo é considerada prata escolhida (Provérbios 10:20). A Bíblia promete que a língua do sábio é medicina (Provérbios 12:18; 13) e que a língua serena é árvore de vida (Provérbios 15:4).

Quem guarda a sua boca e a sua língua livra das angústias a própria alma. Uma pessoa cheia do Espírito Santo, ao falar, fala para curar, levantar, restaurar e abençoar. A cura da nossa boca e das nossas palavras é essencial para que possamos ser canais de bênção e cumprir nosso destino.

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