
Na era do smartphone, a ferramenta mais importante da eleição de 2026 é um papelzinho
Nas Eleições 2026, agendadas para o dia 4 de outubro, o eleitorado brasileiro vivencia um fascinante paradoxo da era digital: embora a vida cotidiana esteja integralmente centralizada nas telas dos smartphones, o aparelho portátil é expressamente proibido dentro da cabine de votação. A poucos dias do pleito, a resposta da Justiça Eleitoral para esse gargalo de usabilidade pública não foi criar mais uma camada de complexidade tecnológica, mas sim resgatar um hábito analógico. Por meio de uma estratégia omnichannel de comunicação, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) transformou a tradicional "colinha" de papel no centro de um fenômeno viral nas redes sociais.
1. A campanha viral que acumulou mais de 16 milhões de visualizações
A campanha “Cola Eleitoral”, distribuída em redes sociais, rádio, televisão e plataformas de áudio e streaming, atingiu números expressivos de engajamento orgânico e pago. Nos perfis oficiais do TSE, o vídeo promocional principal superou a marca de 16 milhões de visualizações totais.
A capilaridade do conteúdo entre os canais oficiais registrou a seguinte distribuição:
- TikTok: 5,9 milhões de visualizações.
- Instagram: 5,3 milhões de visualizações.
- Facebook: 3,6 milhões de visualizações.
- YouTube: 2,1 milhões de visualizações.
Sob a ótica da estratégia de conteúdo digital, o êxito da iniciativa reside na adaptação da linguagem institucional às dinâmicas próprias das plataformas de vídeos curtos. Ao utilizar pessoas dançando ao lado da urna eletrônica com áudios em alta, o TSE acionou os algoritmos do TikTok e do Instagram Reels — que priorizam movimento humano e tendências sonoras —, gamificando uma orientação de serviço burocrática e superando a apatia tradicional do público jovem diante de temas cívicos.
2. Seis cargos, dezenas de dígitos e o risco do "efeito dominó" nas filas
Por trás da abordagem descontraída nas redes sociais, existe uma fria realidade logística de fluxo de pessoas nas seções eleitorais. No 1º turno das Eleições 2026, os eleitores precisarão digitar as sequências numéricas para escolher candidatos em seis cargos diferentes. Sem um lembrete físico, a tentativa de memorizar tantas combinações resulta inevitavelmente em hesitação e aumento substancial do tempo de permanência na cabine.
A análise técnica do TSE aponta que a hesitação individual provoca um travamento em cadeia, ampliando o tempo de espera de todos os cidadãos presentes na seção eleitoral.
"Essa campanha busca ser um aviso leve e didático para a eleitora ou o eleitor que deixa para lembrar os números apenas na hora de votar. São seis cargos, muitos dígitos, ou seja, muito para se decorar. Essa demora ou dúvida gera um efeito dominó nas filas. Nosso recado é direto: anote tudo em um papelzinho e leve-o com você, já que o celular não pode entrar na cabine. O lembrete tradicional em papel continua sendo o melhor amigo do eleitor para uma votação rápida." — Rakell Dimanski, coordenadora de Mídias e Web do TSE.
3. Menos tempo na fila: a orientação da presidência do TSE
Na perspectiva da gestão pública e do design de experiência do eleitor, o incentivo ao lembrete manuscrito funciona como uma ferramenta direta de eficiência operacional para minimizar gargalos nas seções de votação em todo o país.
"A cola eleitoral ajuda as eleitoras e os eleitores a se lembrarem de suas escolhas, tornando o processo mais simples e ágil. A cola de papel é sinônimo de votação rápida e de menos tempo na fila." — Ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE.
4. Inteligência Artificial e novos canais a serviço da informação confiável
Para garantir que o eleitor chegue à cabine com sua anotação em papel devidamente preenchida, o TSE estruturou um ecossistema de informação digital focado em combater a desinformação e facilitar a tomada de decisão antes do dia 4 de outubro:
- ChatVote: Assistente virtual baseado em Inteligência Artificial generativa, projetado para responder dúvidas em linguagem natural com agilidade, mantendo uma média de 37 mil interações diárias.
- Canal no WhatsApp: A implementação de postagens informativas diárias a partir de 1º de setembro gerou uma taxa de crescimento de 3% na base do canal oficial, expandindo o público de 68 mil para 70,4 mil seguidores diretos.
- YouTube e Portal do TSE: O canal institucional no YouTube registrou um ganho de 8,7 mil inscritos em apenas 28 dias (ultrapassando a marca de 510 mil inscritos), enquanto a página dedicada às propostas de governo dos candidatos à Presidência da República somou 8.265 acessos no primeiro dia após o seu lançamento.
5. A simplicidade a serviço da democracia
A estratégia do TSE para o pleito de 2026 demonstra o auge do design de experiência do usuário aplicado ao setor público: utilizar a infraestrutura digital mais avançada — como inteligência artificial, canais de mensageria instantânea e inteligência de algoritmos de redes sociais — para direcionar o cidadão a uma ação analogicamente simples e eficiente. No dia 4 de outubro, a celeridade das votações e o encerramento das filas não dependerão apenas da sofisticação tecnológica do sistema eleitoral, mas do compromisso individual de cada eleitor com um pedaço de papel e uma caneta.
E você, já separou o papel e a caneta para montar a sua colinha antes de sair de casa no dia da votação?
Faça aqui sua cola eleitoral pelo sistema do poder 360. (Todos os candidados)
Eu também criei meu próprio sistema de cola eleitoral com apenas candidatos de direita! Clique aqui para usar.
Comentários (1)
Postar um comentário
O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *