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Escritório de advocacia é investigado por desviar quase R$ 6 milhões de indenizações

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Este artigo detalha o escândalo de corrupção envolvendo o Escritório de Advocacia Cremasco, em Campinas, acusado de desviar cerca de R$ 6 milhões em indenizações de seus próprios clientes.

O Esquema de Apropriação e Lavagem de Dinheiro

O escritório, liderado pelo experiente advogado José Antônio Cremasco e sua filha, a advogada e influenciadora Taís Cremasco, é alvo de mais de 15 inquéritos policiais. O modus operandi consistia em ganhar causas trabalhistas e previdenciárias, mas não repassar os valores aos clientes.

As investigações do Ministério Público revelaram que as contas de Taís funcionavam como uma “estrutura de passagem”: o dinheiro das indenizações entrava e era rapidamente transferido para seu pai ou para terceiros, como uma amiga da família que nunca trabalhou no escritório. Além disso, a polícia investiga a ligação da família com pelo menos 11 empresas, suspeitas de serem utilizadas para a lavagem de dinheiro, já que algumas sedes não possuem placas e recebem correspondências de diversas outras entidades.

Impacto Devastador nas Vítimas

O prejuízo acumulado ultrapassa os R$ 6 milhões, afetando dezenas de pessoas que dependiam desses valores para sobreviver. Entre os casos relatados estão:

  • Felipe: Vendedor ambulante que aguardava R$ 62 mil de uma indenização por acidente de trabalho para abrir seu próprio negócio.
  • Harley: Vítima que sofreu um prejuízo de quase R$ 400 mil.
  • Seu Francisco: Aos 63 anos e lutando contra um câncer, ele aguarda o recebimento de mais de R$ 145 mil de uma ação vencida contra a previdência.

Conflito Familiar e Denúncia Interna

Uma peça fundamental nas investigações é Alana Cremasco, outra filha de José Antônio, que denunciou o esquema após descobrir as irregularidades enquanto estagiava no escritório. Alana relata ter sido ameaçada e perseguida, o que a levou a fugir para Portugal com sua mãe e irmãs mais novas.

Dentro da estrutura familiar, os acusados trocam culpas:

  • José Antônio Cremasco afirma ser vítima da filha Taís, alegando que ela era a administradora financeira do escritório.
  • Taís Cremasco nega responsabilidade sobre os valores, afirmando que o controle financeiro era do pai e que ela está respondendo por dívidas que não contraiu.

Contudo, o Ministério Público aponta que os depósitos eram feitos na conta de Taís e que o repasse aos clientes era de sua responsabilidade.

Contradição Ética

Um ponto que gera indignação nas vítimas é o fato de Taís Cremasco fazer parte do Conselho de Ética da OAB na região. Enquanto ostentava uma vida de luxo com viagens internacionais em suas redes sociais para mais de 30 mil seguidores, seus clientes permaneciam sem os valores conquistados judicialmente.

O caso segue sob investigação, com a quebra de sigilo bancário autorizada pela justiça e o agravante de que os crimes foram cometidos no exercício da advocacia, violando a confiança entre cliente e profissional.

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