O vídeo de Fernando Miranda desconstrói o mito de que o empreendedorismo é o único caminho para a prosperidade financeira, destacando que altos executivos podem acumular fortunas superiores às de muitos donos de empresas. O autor compartilha sua transição de uma carreira de sucesso como CMO de grandes marcas para a criação de seu próprio negócio e canal de conteúdo. Essa mudança não foi motivada por dinheiro, mas pela busca de liberdade estratégica, maior variedade de desafios profissionais e autonomia criativa. Miranda argumenta que o emprego tradicional oferece menor risco, enquanto abrir uma empresa exige sacrifícios financeiros iniciais e resiliência. O relato enfatiza que a decisão de empreender deve ser baseada no desejo de testar teses próprias, e não apenas na busca por riqueza rápida. Assim, o conteúdo funciona como um guia reflexivo sobre as vantagens da CLT premium versus os desafios reais da jornada empresarial.
Este artigo explora as reflexões de Fernando Miranda, ex-CMO da Exame, sobre a transição da carreira corporativa para o empreendedorismo, desmistificando a ideia de que o sucesso financeiro está atrelado exclusivamente ao ato de abrir uma empresa.
O Mito da CLT e a Realidade Financeira
Uma das principais mentiras difundidas no Brasil é que “todo CLT é pobre e todo empresário fica rico”. Na realidade, existem diversos profissionais em regime CLT com salários extremamente altos, superando muitos empresários e magistrados. Casos como os da Nvidia, onde 80% dos funcionários são milionários em dólar, e da SpaceX, que gerou milhares de milionários em seu IPO, provam que entrar cedo em uma empresa em crescimento com remuneração variável pode ser a melhor decisão financeira com o menor risco possível. Se o objetivo principal for apenas acumular dinheiro, abrir uma empresa pode ser, inclusive, uma das piores decisões devido ao alto risco e carga de trabalho.
As “Algemas Douradas”: Por que Deixar um Super Salário?
Fernando Miranda descreve sua posição anterior como um “CLT Super Saiyajin”, com benefícios de alto nível e exposição a grandes executivos. No entanto, ele optou por pedir demissão, mesmo ganhando menos inicialmente, motivado por três fatores que o dinheiro não poderia comprar:
- Variedade: Como executivo, o profissional atende a um único cliente (a própria empresa). Miranda argumenta que, assim como um médico evolui ao atender diversos pacientes, um marqueteiro se torna excepcional ao analisar padrões em diferentes setores e realidades de mercado. A repetição de um único modelo de negócio torna-se limitante para o desenvolvimento profissional.
- Construção de Ativo Próprio (Conteúdo): O cargo de alto executivo em instituições tradicionais muitas vezes impede a criação de uma marca pessoal forte devido a conflitos de interesse e falta de tempo. Ao empreender, ele pôde construir um canal que hoje detém milhões de seguidores e é responsável por 70% das vendas de sua nova empresa, a Stage. Esse nível de autoridade e audiência é algo que nenhum salário pode comprar; apenas tempo, autonomia e nome próprio constroem.
- Liberdade e Direito ao Erro: No ambiente corporativo, existe um “teto de decisão” e governança que filtra ideias inovadoras. O autor desejava a liberdade de testar suas próprias teses — como oferecer cursos gratuitos — sem precisar de aprovações de conselhos ou sócios. Mais importante ainda, ele buscava o direito de errar com o próprio capital, sem colocar em risco o emprego de terceiros ou o capital político de colegas, algo que o paralisava na posição de CMO.
A Transição para o Empreendedorismo
A jornada para se tornar empresário não foi imediata nem isenta de dificuldades. Miranda tornou-se sócio da V4 Company e dono da Stage, mas levou dois anos para recuperar o nível salarial que tinha como CLT. No primeiro ano de empreendedorismo, seu desempenho financeiro foi consideravelmente pior do que em seu último ano como executivo.
Conclusão: Quando o Cálculo Muda
A lição central é que a decisão de empreender não deve ser pautada exclusivamente pelo dinheiro, mas sim por uma tese ou mensagem que não cabe mais dentro da estrutura onde você está. Se existe um modelo de negócio que você deseja testar e a empresa atual não permite, o salário, por melhor que seja, torna-se apenas uma “algema dourada”. O empreendedorismo deve ser buscado quando a busca por liberdade, variedade e pela expressão de uma tese própria supera o conforto e a segurança do alto funcionalismo.
