Relatório de Briefing: O Esquema de Fraudes Milionárias de João Eustáquio de Almeida Júnior
Sumário Executivo
Este documento sintetiza as evidências e relatos detalhados em investigação jornalística sobre as atividades de João Eustáquio de Almeida Júnior, 46 anos, acusado de orquestrar golpes financeiros que ultrapassam o montante de R$ 40 milhões. O investigado utiliza uma fachada de empresário bem-sucedido — caracterizada por luxo extremo, incluindo jatinhos, helicópteros e mansões — para atrair investidores e famílias, prometendo retornos financeiros exorbitantes. O "modus operandi" envolve a criação de empresas em nome de terceiros, o uso de projetos imobiliários fictícios e o esgotamento de ativos de propriedades alheias. As consequências para as vítimas incluem a perda total de patrimônio, despejos recorrentes, destruição de reputações e danos psicológicos e físicos severos.
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1. Perfil e Modus Operandi
João Eustáquio de Almeida Júnior é descrito como um "golpista profissional" que utiliza o que as vítimas denominam como estelionato emocional. Sua estratégia de convencimento fundamenta-se nos seguintes pilares:
- Ostentação como Ferramenta de Venda: O uso deliberado de carros importados, roupas de grife, helicópteros e jatinhos para criar uma aura de credibilidade e riqueza inquestionável.
- Promessas de Lucro Irreais: Garantias de multiplicação de capital em até dez vezes (10x) em curtos períodos, focando especialmente no mercado imobiliário.
- Isolamento Jurídico: João Eustáquio evita figurar como sócio formal nas empresas utilizadas para captar recursos, transferindo toda a responsabilidade legal e o risco de inadimplência para os parceiros de negócio ou vítimas.
- Exploração de Reputação Alheia: O investigado utiliza o "bom nome" e os contatos de pessoas próximas (como namoradas e parceiros comerciais) para atrair novos investidores.
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2. Principais Núcleos de Fraude Identificados
2.1 O Caso Fruivita e o Projeto Gramado
Vinícius e Bárbara, empresários de Atibaia (SP), foram convencidos a fundar a empresa Fruivita para gerir um suposto condomínio de luxo em Gramado (RS), em uma área de 200 hectares.
- Evidência de Convencimento: João apresentou vídeos, maquetes e projetos urbanísticos/ambientais elaborados por empresas renomadas para dar veracidade ao negócio.
- Dinâmica do Golpe: O casal captou milhões de reais de terceiros e aportou recursos próprios. João solicitava transferências constantes sob o pretexto de "giro rápido" para liberar grandes volumes de capital.
- Consequência: João não consta no quadro societário da Fruivita. Como resultado, o casal responde a mais de 30 ações judiciais por estelionato e inadimplência, com dívidas acumuladas em R$ 40 milhões.
2.2 O Impacto na Família Arlindo e Gisélia
Os pais de Vinícius foram induzidos a vender sua residência em Belo Horizonte por um valor abaixo de mercado (menos de R$ 1 milhão) para investir no esquema.
- Promessa: João prometeu pagar o aluguel de uma casa de alto padrão para o casal até que os lucros do empreendimento surgissem.
- Resultado: O pagamento cessou em poucos meses. Arlindo, enfrentando um câncer agressivo e a perda total do patrimônio, faleceu após ser atingido por uma ordem de despejo e pela ruína financeira.
2.3 Exploração Afetiva e Musical (Caso Carolina)
A cantora Carolina iniciou um relacionamento com João, sendo atraída por promessas de uma vida de luxo em Florianópolis (Jurerê Internacional).
- Uso de Imagem: João utilizou a rede de contatos de Carolina no meio musical para captar novos investidores.
- Danos Patrimoniais: Carolina vendeu seu veículo e sua mãe, Eliane, vendeu seu único apartamento em Belo Horizonte. Ambas enfrentaram múltiplos despejos e acumulam dívidas estimadas em R$ 2 milhões.
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3. A Fraude da Fazenda em Itapetininga
Um dos golpes mais audaciosos envolveu a tentativa de compra de uma propriedade rural de 300 hectares avaliada em R$ 20 milhões.
Atividade | Descrição do Evento |
Negociação | João negociou a compra com o advogado Eli Alves da Silva, utilizando a estratégia de chegar à fazenda de helicóptero para impressionar. |
Posse Precária | Convenceu o proprietário a conceder a posse antes do pagamento das parcelas. Viveu no local por 5 meses como um "fazendeiro milionário". |
Esquema de Desmonte | Durante a posse, João vendeu ilegalmente 250 cabeças de gado, 145 carneiros e um trator de R 300 mil (vendido por R 80 mil). |
Exploração de Funcionários | Contatou caseiros (Ed Carlos e Simone) que trabalharam por 3 meses sem receber, chegando a passar privação alimentar com seus filhos. |
O proprietário conseguiu rescindir o contrato e retomar a fazenda, mas registrou queixa por estelionato devido ao desvio dos animais e equipamentos.
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4. Situação Legal e Posicionamentos
O cenário jurídico e investigativo atual apresenta os seguintes pontos:
- Inquéritos: Existem denúncias registradas em diversas delegacias (incluindo Itapetininga e Belo Horizonte) por estelionato.
- Intervenção do Ministério Público: O MP-SP solicitou à Polícia Federal informações sobre investigações em curso envolvendo a empresa e os nomes citados.
- Defesa do Investigado:
- João Eustáquio de Almeida Júnior recusou-se a prestar esclarecimentos à imprensa.
- Um advogado anteriormente indicado pelo investigado declinou a representação em entrevista, citando princípios éticos.
- Ameaças: Relatos indicam que, mesmo após a retomada de propriedades pelas vítimas, João utiliza mensagens em tom ameaçador, tentando se colocar na posição de investidor prejudicado.
5. Conclusão
As evidências apontam para uma operação de fraude sistemática, onde o luxo aparente é financiado pelo capital de novas vítimas. O uso estratégico de "laranjas" conscientes ou inconscientes (como o casal da Fruivita) permite que João Eustáquio de Almeida Júnior permaneça operante, enquanto o passivo jurídico e financeiro é transferido para terceiros. O prejuízo total é inestimável, dada a perda de vidas e a desestruturação permanente de núcleos familiares.