O horário eleitoral gratuito no Brasil é frequentemente descrito como um dos maiores programas de comédia da televisão, onde a criatividade do marketing político transcende as propostas tradicionais para focar em estratégias memoráveis, muitas vezes bizarras. A seguir, detalhamos as principais ideias e perfis de marketing apresentados na fonte.
1. Jingles Chicletes e Trocadilhos com Nomes
Uma das estratégias mais comuns é o uso de músicas que grudam na cabeça ou trocadilhos baseados no nome do candidato:
Batata: Utilizou uma paródia de um sucesso do rock brasileiro repetindo seu nome exaustivamente. Sendo do Partido Verde, adotou o slogan "Plante essa ideia", aproveitando o fato de seu nome ser um tubérculo.
Jane do Ovo: Apostou em um marketing de "alto-falante de Kombi", apenas gritando seu nome de forma repetitiva para fixá-lo na mente do eleitor.
MC Vesga: Usou sua característica física e nome artístico para criar o slogan: "Um olho nos problemas e outro na solução".
Rafafá: Utilizou rimas e o trocadilho de duplo sentido: "ele não promete, ele dá".
2. Honestidade Brutal e Pautas Incomuns
Alguns candidatos abandonam o discurso político polido em favor de uma transparência radical ou pautas focadas em nichos específicos:
Efraim: Inovou pela "sinceridade pura", afirmando abertamente que queria votos para comprar uma moto Hornet e um carro Honda Civic, expondo o desejo de ganho pessoal com o salário de vereador.
Faísca: Candidato pelo "AA" (Alcoólicos Assumidos), focou sua plataforma na "hidratação" e na luta contra o fim da lei seca, utilizando o número 51, uma referência direta à cachaça.
3. O Uso do Duplo Sentido (Marketing Adulto)
Candidatos vindos da indústria de conteúdo adulto utilizam a ambiguidade para atrair atenção:
Elisa Sanchez: Utilizou um discurso aparentemente sério, mas finalizado com o bordão "minha primeira vez".
Bengala: Construiu um discurso inteiro baseado em metáforas sexuais e ambiguidades, como "meter o pau em deputado corrupto" e usar o verbo "comer" ao citar adversários.
4. Personagens, Cosplay e Identidade Visual
A caracterização visual é uma ferramenta poderosa para se destacar na multidão de candidatos:
Jesus: Em Pernambuco, um candidato utilizou o figurino completo de Jesus Cristo e o número 3333 (idade de Cristo), posicionando-se como o "salvador" contra a corrupção.
Super-heróis: Candidatos como o Hanerson (Ranger Verde) e o Roby (Robin) apostaram no lúdico. O Roby, em Aracaju, utilizou o slogan "seriedade com muito humor".
Zebrão: Vestia-se a caráter e utilizava uma lógica simples e irrefutável: "Pelo sim, pelo não, vote no Zebrão".
5. Estratégias de Persuasão: Da Hipnose à Intimidação
Algumas campanhas fogem do padrão de "apresentar propostas" para focar no ato psicológico do voto:
Agnelo: Utilizou a técnica da repetição exaustiva, apenas gritando "eu quero voto" durante todo o seu tempo de TV, sem apresentar qualquer plano de governo.
Zezinho Boladão: No Maranhão, adotou uma postura de intimidação, sugerindo que algo poderia acontecer com quem não votasse nele. Curiosamente, seu número de urna terminava em 157, o artigo do Código Penal para roubo.
Cagado: Apostou na "tática do silêncio", permanecendo mudo enquanto um colega pedia votos por ele. O argumento central de sua campanha era o trocadilho com seu nome: após dois mandatos, ele "não teria feito nenhuma cagada".
Esses exemplos demonstram que, no multiverso do marketing político brasileiro, a memorabilidade — seja pelo riso, pelo choque ou pelo absurdo — é frequentemente priorizada em detrimento do debate de propostas tradicionais.

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