ACUSAÇÃO FALSA DE ESTUPRO DE VULNERÁVEL - ARTIGO 217-A: O que fazer? Como se defender? ENTENDA TUDO

 


Nota do blogueiro (Alex Rudson): Nunca tive esse tipo de problema, mas é bom saber! compartilhando conhecimento, sempre!!

Este artigo detalha as diretrizes e conceitos apresentados pela advogada Bruna Queiroz sobre como enfrentar e se defender de acusações falsas de estupro de vulnerável (Artigo 217-A), destacando a importância de uma defesa técnica e estratégica desde o início do caso.

O Impacto da Acusação e a Gravidade do Crime

Uma acusação de estupro de vulnerável tem um impacto devastador, destruindo a reputação e o psicológico do acusado mesmo antes de qualquer julgamento. O crime é considerado um dos mais graves do Código Penal, com penas que variam de 8 a 15 anos de prisão em regime fechado, podendo ser aumentadas dependendo das circunstâncias.

Diferente do que muitos pensam, o estupro de vulnerável não se limita à penetração; ele abrange qualquer ato libidinoso, como toques em partes íntimas, carícias, beijos roubados ou simulações com finalidade sexual.

Quem é Considerado Vulnerável?

Segundo a legislação citada, a vulnerabilidade é definida por:

  • Menores de 14 anos: Independentemente de consentimento ou autorização dos pais.
  • Pessoas sem discernimento: Aquelas que não possuem capacidade de consentir ou oferecer resistência, como portadores de deficiência mental ou pessoas que estejam desmaiadas, dormindo ou sob efeito de álcool e drogas.

Motivações por trás de Acusações Falsas

As fontes indicam que acusações infundadas frequentemente surgem de contextos de conflito, tais como:

  • Vingança ou brigas familiares e judiciais.
  • Disputas por dinheiro, ciúmes ou conflitos entre vizinhos.
  • Alienação parental, comumente após processos de divórcio.

O Desafio das Provas em "Crimes Clandestinos"

O estupro de vulnerável é classificado como um crime clandestino, pois geralmente ocorre sem testemunhas ou registros visuais. Por essa razão, a palavra da suposta vítima assume um peso desproporcional para o Judiciário.

A defesa deve estar atenta às "testemunhas de ouvir dizer" — pessoas que não presenciaram o fato, mas replicam o relato da criança (como professores ou parentes) e cujos depoimentos podem ser usados pelo juiz para fundamentar uma condenação. Além disso, um laudo de IML negativo não garante a inocência, pois o juiz pode entender que o ato não deixou vestígios físicos.

O Depoimento Especial e as Falsas Memórias

A criança ou adolescente deve ser ouvido obrigatoriamente por meio de um depoimento especial, conduzido por psicólogos ou assistentes sociais em ambiente filmado, seguindo regras que impedem perguntas indutoras ou sugestivas.

A defesa técnica busca identificar:

  • Contaminação do relato: Quando a criança replica histórias inventadas ou sugeridas por adultos.
  • Falsas memórias: Quando a criança passa a acreditar que o fato ocorreu devido à insistência e influência de terceiros.
  • Incongruências: Vocabulário incompatível com a idade da criança ou contradições cronológicas.

Estratégias de Defesa e Etapas do Processo

A recomendação principal é nunca tentar resolver a situação sozinho ou confrontar a suposta vítima. A atuação de um advogado especialista deve começar o quanto antes, preferencialmente na fase de delegacia, para tentar o arquivamento do inquérito antes que ele se torne um processo criminal.

As etapas do processo incluem:

  1. Inquérito Policial: Investigação inicial onde são colhidos depoimentos e exames.
  2. Denúncia: Quando o Ministério Público inicia o processo criminal.
  3. Resposta à Acusação: A primeira oportunidade da defesa para apontar erros e indicar testemunhas.
  4. Instrução e Julgamento: Audiências para ouvir testemunhas, realizar o interrogatório do acusado e apresentar alegações finais antes da sentença.

A defesa deve realizar uma investigação defensiva, reunindo mensagens, áudios, recibos, escalas de trabalho e contando com assistentes técnicos para analisar laudos e pareceres psicológicos.