Por que a MODERNIDADE produz TANTOS IDIOTAS com DIPLOMA?

 


A Modernidade e a Produção de "Idiotas com Diploma": Uma Análise sobre Tabus, Mercado e Democracia

A sociedade contemporânea enfrenta um fenômeno paradoxal: o aumento do acesso à educação formal não eliminou a ignorância, mas parece ter dado origem ao que Luiz Felipe Pondé classifica como "idiotas com diploma". Este artigo explora as ideias centrais discutidas nas fontes sobre como a modernidade, o mercado e a estrutura das redes sociais moldam o pensamento atual, criando novos tabus e desafios para a democracia.

A Ignorância Racional e o Idiota Contemporâneo

Segundo as fontes, o "idiota" moderno não é necessariamente alguém sem instrução, mas sim alguém racionalmente ignorante. Essas pessoas investem seu tempo em entretenimento superficial, como programas engraçados no YouTube, porque nesses ambientes o campo de decisão é claro e sem complexidades.

A polarização é descrita como o "habitat natural dos idiotas", pois oferece respostas prontas e binárias em um mundo reduzido a polos opostos. Ter um diploma de filósofo, historiador ou jornalista não imuniza o indivíduo; muitos intelectuais tornam-se "idiotas políticos" por serem incapazes de romper com vieses ideológicos ou fidelidades partidárias cegas.

O Renascimento dos Tabus e a Inquisição Digital

Diferente do que se imaginava no passado, os tabus não estão desaparecendo, mas renascendo sob novas formas. Hoje, o tabu manifesta-se como uma interdição na linguagem e no pensamento, onde certos temas não podem ser atravessados sob pena de punição severa.

As redes sociais tornaram-se os novos tribunais de inquisição, onde o castigo para os "hereges" modernos é o cancelamento e a perda de patrocínios ou empregos. Esse mecanismo serve para deter o conhecimento que possa "desorganizar o mundo" ou desafiar a ordem estabelecida. Pondé compara o ato de pensar ao sexo: "quanto mais proibido melhor", sugerindo que o enfrentamento de temas interditados é essencial para a liberdade intelectual.

Do Totalitarismo de Estado ao Totalitarismo de Mercado

As fontes contrastam o totalitarismo clássico descrito por George Orwell em 1984 com a realidade atual. Enquanto no livro de Orwell o controle partia de um Estado centralizado que buscava a automação cognitiva das pessoas, hoje o controle é difuso e disperso.

Atualmente, vivemos sob dois novos tipos de totalitarismo:

  1. Totalitarismo de Mercado: Não há alternativa viável ao capitalismo, e a lógica da competição e produção permeia toda a existência.
  2. Marketing Líquido: Inspirado no conceito de "vigilância líquida" de Zygmunt Bauman, o marketing moderno não é coordenado por uma autoridade central, mas por uma visão de mundo compartilhada que exige otimismo obrigatório. O cidadão atual é compelido a acreditar que tudo dará certo, que ele deve se adaptar e vencer, transformando o otimismo em uma "virtude cívica" para validar o sistema.

O Dilema da Democracia e a Epistocracia

A questão da soberania popular é um problema debatido desde o final do século XVIII: como lidar com o fato de que decisões políticas cruciais são influenciadas por pessoas sem noção da complexidade social?. Nelson Rodrigues já observava que, com a democracia, os idiotas perceberam que eram a maioria.

Diante disso, surgem propostas como a de Jason Brennan em seu livro Contra a Democracia, onde ele sugere (de forma irônica) a epistocracia — um regime onde apenas pessoas capacitadas com "habilitação para votar" teriam o poder de decisão. No entanto, as fontes indicam que a solução não passa pela exclusão, pois a democracia sobrevive aos idiotas não por ser um regime de pessoas sábias, mas por meio de suas instituições. Estas instituições servem para mitigar a "tirania da maioria" e garantir que a soberania não dependa apenas do folclore da "sabedoria do povo" ou dos intelectuais.

Em suma, as fontes propõem que enfrentar temas proibidos e reconhecer a existência de "idiotas com diploma" é fundamental para perder o medo e manter a capacidade crítica em um mundo dominado pelo marketing e pela interdição do pensamento.