O Equilíbrio como Alicerce: Muito Mais que uma Habilidade Motora

 


O Equilíbrio como Alicerce: Muito Mais que uma Habilidade Motora


A imagem que acompanha este texto apresenta seis atividades aparentemente simples: equilibrar-se sobre uma base instável, pular em um pé só, brincar de estátua, subir em superfície inclinada, andar em linha reta e andar com objetos na cabeça. À primeira vista, podem parecer apenas brincadeiras comuns da infância, momentos de diversão e gasto de energia. No entanto, elas são, na verdade, exercícios fundamentais de um processo complexo e vital: a equilibração.


Como bem aponta o texto complementar, o equilíbrio não é uma habilidade motora isolada. Ele é um pilar estruturante do desenvolvimento infantil. Cada vez que uma criança tenta se manter em um pé só sobre um terreno irregular, ou caminha cuidadosamente com um livro na cabeça, ela não está apenas “brincando”. Está realizando um sofisticado trabalho de engenharia corporal que integra e estimula três sistemas sensoriais essenciais:


1.  Sistema Vestibular (ouvido interno): Responsável pela percepção do movimento e da posição da cabeça no espaço.
2.  Sistema Proprioceptivo (receptores nos músculos e articulações): Fornece informações sobre a posição e o movimento das diferentes partes do corpo sem a necessidade da visão.
3.  Sistema Visual: Orienta e corrige a postura com base no que se vê ao redor.


A integração desses sistemas, constantemente desafiada por essas atividades lúdicas, é o que permite o controle postural, a coordenação motora global e a organização do movimento. Mas os benefícios vão muito além do físico.


Equilíbrio Corporal, Equilíbrio Cognitivo


Quando uma criança planeja seus movimentos para subir uma rampa ou congama seu corpo no jogo de estátua, ela está exercitando funções executivas do cérebro. A autorregulação (controlar impulsos para não cair), a atenção sustentada (focar na tarefa e nas sensações corporais) e a flexibilidade cognitiva (adaptar-se rapidamente a uma mudança, como trocar de pé no pulo) são fortemente estimuladas.


Essa é a grande reflexão: brincadeiras que trabalham o equilíbrio são, na verdade, treinos cognitivos disfarçados. Elas preparam o terreno neural para aprendizagens futuras que exigem precisão, organização e controle. A escrita, por exemplo, demanda um controle postural fino, estabilidade dos ombros e punho, que têm sua base em um bom desenvolvimento do equilíbrio global. A organização espacial no papel e o comportamento adequado em sala de aula também estão diretamente ligados à consciência corporal e à capacidade de regulação, ambas nutridas por essas experiências.


Conclusão: Uma Estratégia Intencional


Portanto, promover atividades de equilibração na infância não é um mero passatempo. É uma estratégia educativa e clínica necessária e intencional. Cabe a pais, educadores e profissionais da saúde (como psicomotricistas) reconhecer o valor profundo dessas “simples” brincadeiras e incorporá-las de forma consciente no cotidiano das crianças.


Promover a equilibração é, de fato, promover o desenvolvimento em sua plenitude – motor, sensorial, cognitivo e emocional. É oferecer à criança as ferramentas corporais para que ela possa explorar o mundo com segurança, confiança e base sólida para todas as aprendizagens que estão por vir.


Se você, assim como o Prof. Junior Cadima, acredita no poder transformador da Psicomotricidade e no papel fundamental do corpo na construção da mente, compartilhe essa visão. Espalhe a ideia de que, às vezes, para ajudar uma criança a aprender, basta convidá-la a brincar… e a se equilibrar.

fonte: Linkedin


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