Este artigo propõe uma reflexão sobre a trajetória e as convicções de Luciano Hang, fundador da Havan, com base em sua entrevista ao programa Pânico. Através de sua narrativa, emergem temas centrais como a resiliência empresarial, a gestão de marca e as críticas contundentes à burocracia e ao modelo educacional e fiscal brasileiro.
O Empreendedorismo como Resistência e Adaptação
A história da Havan, que completa 40 anos, é apresentada por Hang como um contraexemplo aos "modismos" de mercado. Iniciada em uma loja de tecidos de apenas 45 m² em Brusque, a empresa expandiu-se para quase 200 lojas, mantendo uma crença firme na experiência do varejo físico, mesmo diante da ascensão do e-commerce e dos desafios da pandemia. Para Hang, o varejo de sucesso é aquele que "encanta as pessoas" e se mantém aberto quando o cliente deseja comprar, o que o levou a ser pioneiro na abertura aos domingos e feriados.
Um ponto marcante da sua trajetória foi a transformação de um ataque em estratégia de marketing: o apelido "Velho da Havan", criado por opositores, foi abraçado por ele para humanizar a marca e criar um personagem carismático que se comunica diretamente com o público.
Cultura Organizacional e Meritocracia
Hang enfatiza que o sucesso da empresa reside na relação com seus 25 mil colaboradores, termo que ele prefere em vez de "empregados", apesar de críticas políticas. Ele defende a meritocracia como o motor do crescimento, criticando o que chama de "nação doente", onde benefícios governamentais poderiam desestimular o trabalho. Na Havan, ele destaca a implementação do PPR (Programa de Participação nos Resultados), chegando a distribuir 100 milhões de reais e oferecendo o que chama de "14º salário".
Os Entraves ao Desenvolvimento: Burocracia e Ideologia
Uma das reflexões mais ácidas de Hang recai sobre a burocracia estatal, personificada no que ele chama de "atrasômetro". Ele relata episódios onde obras foram travadas por exigências que, segundo ele, revelaram-se infundadas, como uma "nascente" que era um cano de esgoto ou cerâmicas "indígenas" que eram pratos modernos. Para o empresário, o "burocrata do carimbo" é um dos maiores inimigos da geração de empregos no Brasil.
Além disso, Hang tece críticas ao sistema educacional, especificamente às universidades federais, alegando que estas promovem ideologias de autores como Marx e Gramsci em vez de focar em ética, lógica e virtudes, como propõem os filósofos estoicos (como Marco Aurélio e Sêneca), que ele utiliza como base para sua visão de mundo.
O Olhar sobre o Espaço Público e a Comparação Internacional
O empresário também vincula a prosperidade econômica à ordem e limpeza urbana. Ele argumenta que cidades pichadas e malcuidadas geram insegurança e desvalorização, enquanto locais como Balneário Camboriú prosperam pela manutenção e organização.
Ao comparar o Brasil com o Paraguai, Hang alerta para a fuga de empresas brasileiras para o país vizinho, atraídas por impostos baixos, energia barata e menos burocracia. Segundo ele, o Paraguai deixou de ser visto como um polo de falsificações para se tornar um ambiente competitivo que atrai indústrias têxteis brasileiras.
Conclusão: A Ética do Trabalho
Para Luciano Hang, o caminho para o sucesso não admite atalhos, mas exige disciplina, perseverança e o reinvestimento constante dos lucros na própria empresa. Ele se define como um "ativista econômico" que, embora evite a carreira política direta por medo de retaliações ao seu negócio, não abre mão de se posicionar sobre o rumo do país, defendendo a liberdade de expressão e os valores conservadores.
Este conteúdo, extraído das fontes fornecidas, revela uma visão de Brasil que coloca o setor privado e a liberdade individual no centro do debate sobre o futuro nacional. Além das informações das fontes, é importante notar que as opiniões sobre universidades e figuras políticas refletem a perspectiva pessoal do entrevistado, sendo recomendável consultar diferentes fontes para uma visão plural sobre esses temas.