LIQUIDAÇÃO DO WILL BANK: quem paga a conta agora?

 





Este artigo detalha o colapso do Will Bank, sua conexão com o conglomerado do Banco Master e os desdobramentos que atingiram o Banco Regional de Brasília (BRB) e o sistema financeiro brasileiro, com base nas informações fornecidas pelas fontes.


Crise no Setor Bancário: A Liquidação do Will Bank e o Efeito Dominó no Mercado

Em 21 de janeiro de 2026, o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial da Wi Financeira (Will Bank). A instituição, que contava com mais de 12 milhões de clientes, era um braço digital do conglomerado do Banco Master, que já havia sofrido intervenção semelhante em novembro de 2025.

O Gatilho da Queda: O Embate com a Mastercard

O colapso imediato do Will Bank foi precipitado pela Mastercard. Na véspera da liquidação, a bandeira suspendeu a utilização de todos os cartões da instituição devido ao descumprimento de obrigações de pagamento. O banco não estava honrando a grade de pagamentos do arranjo de cartões, o que levou o Banco Central a declarar sua insolvência e o comprometimento econômico-financeiro.

Como garantia para operar no sistema da Mastercard, o controlador do Will Bank havia oferecido ações do BRB (Banco de Brasília). Com a inadimplência, a Mastercard executou essas garantias, passando a deter cerca de 7% do capital do BRB (aproximadamente 33 milhões de ações), embora tenha declarado não ter interesse em manter essa participação societária a longo prazo.

A Conexão com o BRB e Indícios de Fraude

A crise do Will Bank e do Banco Master revelou uma "bomba política" envolvendo o BRB, um banco público controlado pelo Governo do Distrito Federal. Segundo as fontes, as investigações apontam que:

  • O BRB teria adquirido cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito inexistentes do Banco Master.
  • Houve tentativas do BRB de comprar o Banco Master mesmo quando a situação deste já era crítica.
  • O Ministério da Fazenda passou a pressionar o Governo do DF por um aporte de R$ 4 bilhões para recompor o capital do BRB, sob risco de intervenção federal.

Especialistas nas fontes sugerem que essa deterioração não foi natural, mas fruto de decisões de gestão suspeitas da alta cúpula do BRB, que já resultaram no afastamento de diretores.

Impacto nos Clientes e o Papel do FGC

Para os correntistas e investidores do Will Bank, a situação apresenta dois cenários distintos:

  1. Investidores e Saldos em Conta: Quem possuía até R$ 250.000,00 investidos (CDBs) ou em saldo está garantido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O ressarcimento deve ser solicitado via aplicativo do FGC, mas o processo não é imediato, podendo levar mais de 60 dias.
  2. Devedores e Usuários de Cartão: Cartões bloqueados não funcionam mais para novas compras. No entanto, faturas em aberto e empréstimos devem continuar sendo pagos normalmente para evitar negativação do CPF.

Riscos Sistêmicos e Lições para o Investidor

A crise levanta um alerta sobre a saúde do FGC, uma vez que o rombo somado de instituições do grupo Master pode consumir cerca de 40% do patrimônio total do fundo. Isso pode forçar os grandes bancos a fazerem novos aportes, custo que provavelmente será repassado aos consumidores.

As fontes destacam lições fundamentais para investidores:

  • Rentabilidade e Risco: Taxas de juros muito acima da média do mercado (como os CDBs oferecidos pelo Master e Will) são sinais de fragilidade e necessidade desesperada de caixa, não de oportunidade.
  • Diversificação: Nunca se deve concentrar todos os recursos em uma única instituição, especialmente as de pequeno e médio porte.
  • Análise de Crédito: É essencial olhar além da marca e analisar a solidez dos balanços e os vínculos societários das instituições.

Embora o Banco Central tente conter um risco sistêmico através dessas liquidações pontuais, a rede de mais de 2.500 CNPJs ligados ao controlador do grupo Master sugere que novos desdobramentos ainda podem surgir no mercado imobiliário e financeiro.


O que acontece com as faturas de cartão após a liquidação do banco?


Com base nas fontes, mesmo após a liquidação extrajudicial do Will Bank (Wi Financeira), as faturas de cartão de crédito devem continuar sendo pagas normalmente. O encerramento das atividades da instituição não isenta o cliente de suas obrigações financeiras contratadas.

Aqui estão os pontos principais sobre o que ocorre com as faturas e o uso do cartão:

  • Dever de Pagamento: É necessário honrar o pagamento das faturas e de eventuais parcelamentos, pois esses compromissos permanecem válidos. O processo de liquidação de um banco não acontece instantaneamente; o liquidante responsável continuará recolhendo esses valores para quitar as dívidas da própria instituição com seus credores.
  • Risco de Negativação: Caso o cliente deixe de pagar as faturas, ele ainda corre o risco de ter seu nome enviado para órgãos de proteção ao crédito, resultando na negativação do CPF.
  • Cartões Bloqueados: Embora as dívidas precisem ser pagas, os cartões de crédito e débito foram inutilizados e bloqueados para novas compras. A Mastercard suspendeu as operações devido ao descumprimento de obrigações de pagamento por parte do banco, o que precedeu a liquidação decretada pelo Banco Central.
  • Acesso a Serviços: Os clientes perdem o acesso a novos limites de empréstimo, novos investimentos ou a emissão de novos cartões, e serviços como transferências via Pix também podem ficar indisponíveis.

Em resumo, enquanto os benefícios e o uso do cartão são interrompidos imediatamente, a dívida permanece ativa e deve ser quitada para evitar problemas legais e financeiros ao consumidor.


Quais são os riscos para quem investiu acima de R$ 250.000?


Para investidores que possuem quantias acima de R$ 250.000,00 no Will Bank (Wi Financeira) ou em outras instituições do conglomerado do Banco Master, a situação é de risco elevado, pois o mecanismo de proteção padrão do sistema financeiro brasileiro possui limitações claras.

De acordo com as fontes, os principais riscos e consequências para esses investidores são:

  • Perda do Excedente: O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) assegura apenas o valor de até R$ 250.000,00 por CPF em cada instituição financeira. Qualquer valor que ultrapasse esse limite não tem garantia de reembolso e o investidor corre o risco direto de perder esse capital.
  • Fila de Credores: Quem investiu acima do teto do FGC entra automaticamente na lista geral de credores da instituição liquidada. Isso significa que o recebimento do valor excedente dependerá do processo de liquidação extrajudicial, onde o liquidante tentará vender os ativos do banco (como sedes e carteiras de crédito) para pagar as dívidas. Esse processo é demorado, incerto e não há garantia de que os recursos arrecadados serão suficientes para quitar todos os credores.
  • Pressão sobre o FGC: O colapso do grupo (Banco Master e Will Bank) é tão significativo que estima-se que ele possa consumir cerca de 40% do patrimônio total do FGC. Embora as fontes indiquem que o fundo possui recursos para pagar quem está dentro do limite, o volume massivo de saques (estimado em até R$ 50 bilhões somando as instituições do grupo) gera preocupações sobre a saúde futura do sistema de garantias e a necessidade de novos aportes pelos grandes bancos.
  • Incerteza Jurídica e Operacional: Como a liquidação foi decretada com efeitos retroativos a novembro de 2025, operações realizadas após essa data podem ser contestadas ou revertidas, o que pode complicar ainda mais a apuração dos valores devidos a grandes investidores.

As fontes enfatizam que casos como este servem como um alerta para a importância da diversificação. Investidores diligentes devem evitar colocar todos os seus recursos em uma única instituição, especialmente naquelas que oferecem taxas de juros muito acima da média do mercado, o que costuma ser um sinal de fragilidade financeira e necessidade desesperada de caixa.


A Crise do Willbank e o Efeito Dominó no Sistema Financeiro

A recente liquidação de instituições financeiras ligadas ao grupo do Willbank e Banco Master gerou uma onda de incerteza no mercado brasileiro. Segundo as fontes, a situação é grave: uma parcela dos clientes que possuía valores em conta corrente ou investimentos pode jamais receber seu dinheiro de volta.

Abaixo, detalhamos os principais pontos para entender a falência, como recuperar valores e quais os riscos futuros.

1. O Processo de Recuperação via FGC

Quando o Banco Central decreta a liquidação de um banco, todos os acessos por aplicativo, transferências e Pix são congelados imediatamente. O saldo visualizado na tela passa a ser apenas um registro, e a recuperação do dinheiro deve ser feita exclusivamente através do FGC (Fundo Garantidor de Crédito).

  • Como solicitar: O pedido não pode ser feito por computador, apenas pelo aplicativo oficial do FGC em dispositivos móveis. O processo exige o cadastro de uma conta bancária para recebimento, envio de fotos de documentos (RG/CPF) e a realização de uma selfie para prova de vida.
  • Prazos: Após a falência, a instituição tem cerca de 30 dias úteis para enviar a lista de credores ao FGC. Nas fontes, menciona-se que o período para solicitação pode se estender significativamente, com previsões de liberação de garantias iniciando apenas em março de 2026.

2. A "Armadilha" do Conglomerado e o Limite de R$ 250 Mil

O FGC garante o pagamento de até R$ 250.000 por CPF, mas há uma regra crucial: esse limite se aplica por instituição financeira ou conglomerado.

Até 21 de agosto de 2024, o Willbank e o Banco Master eram considerados entidades distintas. Após essa data, devido à compra do Willbank pelo Master, eles passaram a formar um único conglomerado. Isso significa que, se um investidor possuía R$ 250 mil em cada um, ele não receberá R$ 500 mil, mas sim o teto único de R$ 250 mil para a soma dos dois bancos, o que resultará em perdas para quem exceder esse valor.

3. Solvência do FGC e o Risco de Caixa

Um ponto alarmante levantado nas fontes é a saúde financeira do próprio FGC. Atualmente, o fundo possui cerca de R$ 121 bilhões em caixa. No entanto, estima-se que o reembolso dos clientes do Banco Master e Willbank consumirá aproximadamente R$ 47 bilhões, o que representa quase 40% do saldo total do fundo. Caso outras instituições financeiras entrem em colapso, o FGC pode não ter recursos suficientes para cobrir todos os cidadãos no futuro.

4. O Destino das Dívidas

Muitos clientes acreditam que, com a falência do banco, suas dívidas (empréstimos e faturas de cartão) deixam de existir. As fontes alertam que isso é um erro perigoso.

  • As dívidas continuam ativas e devem ser pagas em dia para evitar a negativação no SPC e Serasa.
  • Se o aplicativo estiver inacessível, o cliente deve aguardar a disponibilização de boletos.
  • Recomendação vital: Documente toda a impossibilidade de pagamento com prints e datas. Se o banco não fornecer meios de pagamento e negativar o nome do cliente indevidamente, essas provas serão essenciais para processos de limpeza de nome e possíveis indenizações.

5. O Próximo na Mira: Banco de Brasília (BRB)

As fontes indicam que o Banco de Brasília (BRB) pode estar envolvido em um efeito dominó devido a conexões com o Banco Master. O Ministério Público vê indícios de gestão fraudulenta e investiga aportes bilionários que o BRB teria feito no Master.

Embora o Banco Central tenha barrado a compra direta do Master pelo BRB, revelou-se uma "triangulação" de participações: o Willbank possuía participações no BRB e na empresa Westwing, que foram executadas pela Mastercard como garantia. Isso evidencia que o BRB poderia ser configurado como parte do mesmo conglomerado financeiro, reduzindo ainda mais as garantias dos investidores e aumentando o risco sistêmico.

Nota: O BRB tem emitido notas afirmando ser uma instituição sólida e com liquidez, mas as fontes sugerem cautela máxima para investidores que possuem grandes quantias na instituição.