Soberania Individual e o Colapso do Sistema Fiduciário: Reflexões a partir da Visão de Renato Amoedo
O convidado do FlexCast 169, Renato Amoedo (também conhecido como Renato Três Oitão), notabilizou-se por ser uma figura "fora da curva" e um dos maiores defensores do Bitcoin no mundo lusófono, conhecido por tomar uma decisão ousada em 2015 ao vender seu carro para comprar Bitcoin, transformando isso em uma história de liberdade financeira. As discussões apresentadas no episódio extrapolam o mercado financeiro, tocando em temas profundos sobre a sociedade, moralidade, história e o papel do Estado, oferecendo um convite direto à reflexão sobre a responsabilidade e soberania individual.
Bitcoin: A Arma da Soberania Individual
A tese central defendida por Amoedo é que o Bitcoin é o primeiro ativo na história da humanidade que o indivÃduo leva consigo "para o caixão", sendo impossÃvel de ser tomado por qualquer juiz, governante, filho ou cônjuge. Essa inconfiscabilidade fundamental muda o equilÃbrio de poder nas relações humanas, incluindo entre governantes e governados, pai e filho, e homem e mulher.
Para o evangelista do Bitcoin, a aceitação desta tecnologia proporciona a soberania individual, sendo uma "arma que foi usada em todas as guerras relevantes nos últimos 5.000 anos: a criptografia". A soberania requer a auto custódia, onde ele ensina como gerar e assinar chaves de forma offline, garantindo que nem mesmo uma ameaça fÃsica (como sequestro ou tortura) possa resultar na perda de um centavo, desde que a pessoa mantenha o controle fÃsico e mental. O conhecimento sobre Bitcoin, inclusive a capacidade de assinar chaves offline, é considerado milhares de vezes mais importante do que simplesmente possuir a moeda.
A superioridade do Bitcoin sobre o ouro é atribuÃda ao fato de ser mais escasso, transportável, divisÃvel e fungÃvel. Ele representa a antÃtese de um sistema que se baseia na fraude e na promessa de riqueza infinita através da impressão descontrolada de moeda.
A CrÃtica ao Estado e ao Sistema Fiduciário
O sistema fiduciário (Fiat) é veementemente classificado como uma mentira e "de Satanás". Os bancos centrais, ao prometerem "um vale que não tem valor nenhum", manipulam a moeda de forma que seu valor é determinado pelo devedor (o governo), não pelo credor, levando inevitavelmente à desvalorização e ao colapso.
O crescimento exponencial do Estado, financiado pela moeda fiduciária, é apontado como a raiz das grandes desgraças do século XX, incluindo o comunismo e o nazismo. O problema subjacente à corrupção advém da separação de controle e propriedade, um conceito que se aplica tanto às grandes empresas quanto ao próprio Estado.
Amoedo argumenta que o interesse de qualquer governante é manter o governado dependente e pobre. Instituições públicas, como as universidades bancadas pelo governo, funcionam como "catedrais" de uma "religião civil" (o comunismo e a república), desenvolvendo ideologias que servem para manter o poder.
A solução para a crise de infraestrutura e serviços (como transporte no interior ou saúde) não é a intervenção estatal, mas sim reconhecer que, se não há demanda e ninguém está disposto a pagar por um serviço, ele simplesmente não deve existir. A privatização de serviços como justiça, saúde e educação é vista como o caminho para a eficiência e para acabar com o abuso. A ideia de que um juiz produziria mais se fosse um delegatário público, remunerado pela produtividade, como um notário, é citada como um modelo.
A preocupação com o futuro é exacerbada pela ameaça das Moedas Digitais de Banco Central (CBDCs), vistas como o "totalitarismo financeiro absoluto", que fecharão a janela de liberdade.
Moralidade, FamÃlia e o Mandato Divino
A discussão frequentemente retorna à moralidade e à estrutura familiar, vistas como indissociáveis da saúde financeira e social. O sistema atual é criticado por promover leis "feministas", o socialismo e a "castração de crianças".
As crises sociais e demográficas do Ocidente são ligadas à destruição das caracterÃsticas masculinas e ao tratamento das mulheres "como homens", o que destrói a qualidade de mulher. Citações bÃblicas são usadas para reforçar a hierarquia familiar, onde o papel do homem é tirar o pão do seu trabalho e o papel da mulher é ter seu desejo para o marido que a governará. O divórcio, que Jesus teria revogado, e a busca por prazer de curto prazo (o "imediato") são associados ao serviço a Satanás.
A soberania, assim como o mérito, é desestimulada em regimes onde todos têm a mesma "dignidade" independentemente do mérito e onde quem manda não é quem contribui (as crianças governam a casa).
A Importância da Escolha Individual
Em última análise, a salvação (seja espiritual ou financeira) é sempre individual. Não se deve esperar que o Estado se regenere ou que a maioria seja salva, pois "a maioria vai para o inferno".
Renato Amoedo enfatiza a necessidade de estudar e se preparar, pois a realidade é absoluta. A moderação na defesa da verdade é considerada um "serviço prestado à mentira".
A única oposição eficaz ao sistema atual é a ação individual: sustentar a mulher, gerar muitos filhos e comprar Bitcoin para não financiar a desgraça do Estado. O socialismo, que se inicia na crença de ter direito sobre o suor do trabalho alheio, é o inÃcio de entregar a alma ao diabo.
A única arma contra o totalitarismo crescente é o Bitcoin e a criptografia. O indivÃduo deve se adaptar à realidade e não esperar que o mundo se adapte a ele, buscando a liberdade e a verdade para si e para sua famÃlia.
A filosofia apresentada sugere que a crise atual—moral, social e econômica—está profundamente enraizada na falha da moeda fiduciária em reter valor (incentivando o gasto em vez da poupança) e na interferência do Estado na ordem natural e divina das coisas. Para o indivÃduo, ser soberano em um mundo que caminha para o totalitarismo financeiro (CBDCs) e a escravidão voluntária requer a adoção de tecnologias de liberdade e o retorno a valores que priorizam a famÃlia, a responsabilidade e o mérito. É um chamado a assumir a culpa e a responsabilidade pelas próprias decisões, reconhecendo que a vida é baseada em causa e consequência.