O Julgamento, a Sabedoria e a Obediência: Reflexões sobre Mateus 7
O capítulo 7 do Evangelho de Mateus encerra o Sermão da Montanha, um dos ensinamentos mais profundos de Jesus Cristo. Nele, o Mestre aborda temas essenciais para a vida cristã, como o perigo do julgamento precipitado, a importância da oração, o discernimento entre o bem e o mal, e a necessidade de colocar a Palavra em prática.
1. Não Julgueis, Para Não Serdes Julgados (Mateus 7:1-5)
Jesus começa advertindo sobre o julgamento: *"Não julgueis, para que não sejais julgados"* (v.1). Essa exortação não proíbe toda forma de avaliação ou correção fraterna, mas condena a hipocrisia de condenar os outros enquanto se ignora os próprios erros.
A metáfora do *"argueiro no olho do irmão"* e a *"trave no próprio olho"* (v.3-5) ilustra como muitas vezes somos rápidos em apontar as falhas alheias, mas lentos em reconhecer nossas próprias imperfeições. Antes de corrigir o próximo, devemos examinar a nós mesmos e buscar o arrependimento.
2. Discernimento e Sabedoria (Mateus 7:6)
O versículo 6 traz uma instrução aparentemente enigmática: *"Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas"*. Jesus ensina que, embora devamos amar a todos, há momentos em que a verdade e as coisas sagradas devem ser compartilhadas com discernimento. Nem todos estão preparados para recebê-las, e alguns podem até reagir com hostilidade.
3. A Efícacia da Oração (Mateus 7:7-11)
Jesus encoraja Seus discípulos a buscarem a Deus com confiança: *"Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á"* (v.7). Ele compara o amor de Deus ao de um pai terreno: se um pai humano sabe dar boas coisas aos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o que é bom aos que O buscam (v.11).
4. A Regra de Ouro (Mateus 7:12)
*"Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós"*. Este princípio, conhecido como a *"Regra de Ouro"*, resume a ética cristã. O amor ao próximo deve guiar nossas ações, refletindo a justiça e a misericórdia divinas.
5. Os Dois Caminhos (Mateus 7:13-14)
Jesus contrasta o caminho estreito que leva à vida com o caminho largo que conduz à perdição. A verdadeira salvação exige esforço, renúncia e fidelidade, e poucos estão dispostos a percorrê-lo.
6. Cuidado com os Falsos Profetas (Mateus 7:15-20)
Nem todos que se dizem servos de Deus realmente O são. Jesus alerta sobre os *"falsos profetas"*, que parecem inofensivos como ovelhas, mas são *"lobos devoradores"* (v.15). A maneira de identificá-los é pelos seus frutos (v.16-20). Uma vida verdadeiramente transformada pelo Evangelho produz boas obras, enquanto a hipocrisia acaba se revelando.
7. Obediência e Fundamento da Fé (Mateus 7:21-27)
Não basta apenas professar fé em Jesus; é necessário obedecer à vontade de Deus (v.21). Muitos farão grandes obras em nome d'Ele, mas se não viverem em santidade, serão rejeitados (v.23).
A parábola final sobre os dois alicerces (v.24-27) ilustra a diferença entre quem ouve e pratica a Palavra (casa sobre a rocha) e quem apenas a escuta sem obedecer (casa sobre a areia). Quando as tempestades da vida chegarem, apenas os alicerçados na obediência a Cristo permanecerão firmes.
Conclusão
Mateus 7 nos desafia a viver com humildade, discernimento e compromisso genuíno com Deus. Que possamos examinar nossos corações antes de julgar os outros, buscar a Deus em oração, discernir a verdade e, acima de tudo, colocar em prática os ensinamentos de Jesus, edificando nossa vida sobre o firme fundamento da Sua Palavra.
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1 Não julgueis, para que não sejais julgados.
2 Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos tornarão a medir.
3 E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho?
4 Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, e eis uma trave no teu olho?
5 Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás claramente para tirar o argueiro do olho do teu irmão.
6 Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas, não aconteça que as pisem com os pés e, voltando-se, vos despedacem.
7 Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á.
8 Porque, aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate, abrir-se-lhe-á.
9 E qual dentre vós é o homem que, pedindo-lhe pão o seu filho, lhe dará uma pedra?
10 E, pedindo-lhe peixe, lhe dará uma serpente?
11 Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem?
12 Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas.
13 Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela;
14 E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem.
15 Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores.
16 Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?
17 Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus.
18 Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons.
19 Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo.
20 Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.
21 Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.
22 Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas?
23 E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.
24 Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha;
25 E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha.
26 E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia;
27 E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda.
28 E aconteceu que, concluindo Jesus este discurso, a multidão se admirou da sua doutrina;
29 Porquanto os ensinava como tendo autoridade; e não como os escribas.
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