Estudo sobre o livro de Mateus: capítulo 11

 




O Chamado ao Arrependimento e à Fé em Mateus 11

Mateus 11 é um capítulo repleto de ensinamentos profundos sobre o papel de João Batista, a resposta das cidades às obras milagrosas de Jesus e o convite à transformação interior. Este texto apresenta uma sequência de reflexões que nos levam a entender melhor a missão de Cristo e as expectativas que Ele colocou sobre aqueles que O seguem.

A Missão de João Batista (vv. 2-15)

A narrativa começa com João Batista, preso no cárcere, enviando seus discípulos para perguntar a Jesus: “És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro?” (v. 3). Essa pergunta reflete a dúvida humana diante do cumprimento das profecias messiânicas. João, apesar de ser um grande profeta, talvez estivesse se questionando sobre o propósito da sua prisão e sofrimento, já que o Messias era esperado como um libertador poderoso.

Jesus respondeu enviando aos discípulos de João evidências claras do Seu ministério: "Ide, e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes: os cegos veem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho" (vv. 4-5). Com essas palavras, Jesus afirma que Ele está cumprindo as profecias de Isaías 61:1-2, mostrando que o Reino de Deus já está sendo manifestado na terra por meio dEle.

Além disso, Jesus elogia João Batista, destacando-o como "maior do que todos os nascidos de mulher" (v. 11). Contudo, Ele também destaca que até mesmo o menor no Reino dos Céus é maior do que João. Isso significa que aqueles que aceitam Cristo entram em um novo patamar espiritual, onde a graça divina supera todas as limitações humanas.

A Resistência das Multidões (vv. 20-24)

Após glorificar João, Jesus critica as cidades onde realizou muitos milagres, mas cujos habitantes se recusaram a se arrepender. Ele declara: "Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida!" (v. 21). As cidades de Tiro, Sidom e Sodoma, conhecidas por seus pecados, teriam tido uma chance maior de arrependimento se os mesmos prodígios ali fossem realizados. Essa passagem serve como um alerta sobre a responsabilidade que acompanha a revelação da verdade divina. Quanto mais privilégio recebemos, maior será nossa responsabilidade diante de Deus.

A Sabedoria Justificada pelos Filhos (vv. 16-19)

Jesus compara a geração contemporânea a crianças birrentas que não querem cooperar nem dançar nem chorar conforme a ocasião. Ele explica que tanto João Batista quanto Ele próprio foram criticados injustamente. João foi acusado de ter demônio porque vivia asceticamente, enquanto Jesus foi chamado de "comilão e beberrão" por socializar com publicanos e pecadores. No entanto, Jesus conclui que "a sabedoria é justificada por seus filhos" (v. 19), significando que as ações coerentes com a vontade de Deus acabam validando Sua verdade.

A Revelação do Pai e do Filho (vv. 25-27)

Jesus então oferece uma oração de louvor ao Pai, agradecendo-Lhe por ocultar as verdades celestiais aos sábios e entendidos, revelando-as apenas aos pequeninos. Esta é uma ideia central no evangelho: a salvação não pertence aos orgulhosos e arrogantes, mas aos humildes e dependentes de Deus. Jesus enfatiza ainda que ninguém conhece plenamente o Pai senão o Filho, e ninguém conhece o Filho senão o Pai e aqueles a quem Ele revelar (v. 27). Aqui está a essência da fé cristã: ela depende da revelação divina e da relação pessoal com Cristo.

Convite ao Descanso Espiritual (vv. 28-30)

Por fim, Jesus faz um convite universal: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei" (v. 28). Este chamado é dirigido a todos os que carregam fardos pesados, sejam eles físicos, emocionais ou espirituais. Jesus promete descanso, não através de um jugo opressor, mas através de Sua própria suavidade e mansidão. Ele convida os homens a aprenderem Dele, pois "o meu jugo é suave e o meu fardo é leve" (v. 30).

Essa oferta de descanso é especialmente significativa porque contrasta com a carga religiosa imposta pelo legalismo farisaico. Ao invés de exigir obediência rígida sem misericórdia, Jesus propõe uma vida de comunhão íntima com Ele, baseada em amor e confiança.

Reflexão Final

Mateus 11 desafia cada um de nós a avaliar nossa resposta ao evangelho. Somos como João, buscando compreender melhor a natureza de Cristo? Ou estamos entre aqueles que, apesar de testemunhar milagres e maravilhas, continuamos indiferentes e teimosos em nossos caminhos pecaminosos? 

Jesus nos oferece descanso, mas este descanso só pode ser encontrado quando reconhecemos nossa necessidade de arrependimento e dependência total dEle. Aceitar o jugo de Cristo não é um fardo pesado, mas sim uma oportunidade de viver em harmonia com o Criador, experimentando paz e alegria em meio às adversidades da vida. Assim, somos convidados a seguir Jesus, aprendendo de Sua mansidão e humildade, e encontrando verdadeiro descanso para nossas almas.



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Mateus 11

E aconteceu que, acabando Jesus de dar instruções aos seus doze discípulos, partiu dali a ensinar e a pregar nas cidades deles.

E João, ouvindo no cárcere falar dos feitos de Cristo, enviou dois dos seus discípulos,

A dizer-lhe: És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro?

E Jesus, respondendo, disse-lhes: Ide, e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes:

Os cegos veem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho.

E bem-aventurado é aquele que não se escandalizar em mim.

E, partindo eles, começou Jesus a dizer às multidões, a respeito de João: Que fostes ver no deserto? Uma cana agitada pelo vento?

Sim, que fostes ver? Um homem ricamente vestido? Os que trajam ricamente estão nas casas dos reis.

Mas, então que fostes ver? Um profeta? Sim, vos digo eu, e muito mais do que profeta;

10 Porque é este de quem está escrito: Eis que diante da tua face envio o meu anjo, que preparará diante de ti o teu caminho.

11 Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João o Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele.

12 E, desde os dias de João o Batista até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele.

13 Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João.

14 E, se quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir.

15 Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

16 Mas, a quem assemelharei esta geração? É semelhante aos meninos que se assentam nas praças, e clamam aos seus companheiros,

17 E dizem: Tocamo-vos flauta, e não dançastes; cantamo-vos lamentações, e não chorastes.

18 Porquanto veio João, não comendo nem bebendo, e dizem: Tem demônio.

19 Veio o Filho do homem, comendo e bebendo, e dizem: Eis aí um homem comilão e beberrão, amigo dos publicanos e pecadores. Mas a sabedoria é justificada por seus filhos.

20 Então começou ele a lançar em rosto às cidades onde se operou a maior parte dos seus prodígios o não se haverem arrependido, dizendo:

21 Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom fossem feitos os prodígios que em vós se fizeram, há muito que se teriam arrependido, com saco e com cinza.

22 Por isso eu vos digo que haverá menos rigor para Tiro e Sidom, no dia do juízo, do que para vós.

23 E tu, Cafarnaum, que foste erguida até ao céu, serás abatida até ao inferno; porque, se em Sodoma tivessem sido feitos os prodígios que em ti se operaram, teria ela permanecido até hoje.

24 Eu vos digo, porém, que haverá menos rigor para os de Sodoma, no dia do juízo, do que para ti.

25 Naquele tempo, respondendo Jesus, disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos.

26 Sim, ó Pai, porque assim te aprouve.

27 Todas as coisas me foram entregues por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar.

28 Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.

29 Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.

30 Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.



fonte  do texto bíblico: https://www.bibliaonline.com.br/acf/mt/11


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